Eu sou Constance, meu amor pelas flores surgiu enquanto observava minha mãe cultivando seu pequeno jardim nos fundos de casa.
Sempre achei difícil entender porque as flores tinham que ficar escondidas, mas aos poucos, de tanto conviver com o jardim, eu entendi porque elas, mesmo sendo pequenas, delicadas e talvez até frágeis, intimidavam tanto Richelieu. Essa era a força das flores! Não precisam de muito para melhorar o dia, o humor, e até a vida das pessoas. Bastam elas serem...
Richelieu não é capaz de enxergar e sentir o que as flores transmitem para nós, sensação essa que nada explica, só se sente e confia. Eu confio nas minhas flores, e não me esqueço jamais do que minha mãe me dizia todos os dias antes que eu saísse de casa, quando era criança: Por onde flor, floresça, menina!
Florescer, ser, resistir. Resisto por elas, por uma cidade onde todos possam receber a energia que vem das pequenas flores e a paz que só elas podem transmitir.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
domingo, 12 de fevereiro de 2017
Nós somos Alice
Num mundo
tão conturbado como o que a gente vive (e nós mesmos construímos) – onde um ser
subjulga outro seres –, fugas da realidade se tornam ferramenta necessária para
a sobrevivência. A questão é: aonde o “delírio” pode nos levar? Talvez, pelos
caminhos mais autênticos da busca pela verdade interior e, como o interior faz
e é feito pelo exterior, leva à uma compreensão à um nível mais profundo –
sensível – das coisas como são e de quem somos.
Se julgarem
um delírio por seu conteúdo inreal,
lhes revido: quanto do mundo é sustentado em cima de ideias abstratas? Que, sem
qualquer substrato material, são aceitas, mantidas e reproduzidas. Moldamos
nossas ações e manifestações apenas pela influência de uma ideia,
compartilhada, que paira no ar. O absurdo do mundo é, às vezes, mais brutal do
que o absurdo das fantasias.
sábado, 26 de setembro de 2015
Quem canta, os males espanta.
Espantalho acorda de manhã bem cedinho,
se espanta,
Corvozes(*) espantam seu bom humor
e enchem sua cabeça de voz.
O Espantalho não espanta ninguém
o espantalho se espanta de si mesmo
sem voz ele canta em silêncio
pra desatar alguns nós.
Mas alguém espanta as vozes dos corvozes
e o que seria só fogo de palha,
passa a ser uma bela chama de esperança.
Ah espantalho, espanta sim, só precisa de uma ajuda.
É de se espantar que alguém se prenda
por medo,
"o medo as vezes nos impede de sonhar".
Então cantemos a canção de quem se espanta
e se encanta.
(*) Corvozes: plural de Corvoz, espécie de corvo, que enche a cabeça de voz.
domingo, 16 de agosto de 2015
A viagem.
Quem conhece a Cia. do Abração sabe que trabalhamos com espetáculos de repertório, ou seja, não abandonamos a obra de arte no final da temporada, ela continua viva e se alimentando durante a sua sustentabilidade, um exemplo claro disso é o espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão" que já tem 13 anos. Dessa forma, apresentamos muito em diversos lugares (não vou entrar exatamente na parte profunda que é para um ator jovem e inexperiente entrar num espetáculo que nasceu muito antes da sua vontade de ser artista profissional), viajamos para perto, para longe, conhecemos pessoas incríveis outras que precisam trabalhar sua habilidade em se relacionar com as outras e por aí vai... Nesse trem que vai e volta, dá voltas, volta pra si, volta pro outro, aprendemos muitas coisas, compartilhamos o amor, a renovação, o encontro, as almas, o grupo. A força que se constrói naquilo que nos prontificamos a doar nossas vidas - a arte - quando viajamos, alimenta nossos espíritos e cria uma identidade em conjunto, observamos nossas qualidades e principalmente, as falhas.
Os erros são contundentes e irremediáveis, ainda mais no Teatro, a arte de encontro entre o homem e o homem. Nada foge da lente do espectador, desde aquele com o olhar mais frágil até aquele com uma relação mais profunda com essa arte, seja um erro provocado pelo ator, pela técnica, por forças maiores, eles são tão fortes naquele lapso de instante que provam a força maior do TEATRO, sua efemeridade fica evidente em cada segundo, as ações parecem retrógradas, como se fosse uma corrida pra alcançar o ponteiro dos segundo de um relógio. E é exatamente aí que as falhas são desfocadas, onde a única razão pelo teatro existir aparece, o trabalho do ATOR.
Quando esse indivíduo/corpo/substância/energia/alma está cheio de energia e concentração, sua técnica sobrepõe inconscientemente os erros, controla a situação e não se prova como isso acontece através de uma tese científica, pois a efemeridade vai além de uma reflexão, ela dialoga com um tempo que é ínfimo ao pensamento, é o instinto, a reação, o reflexo que se concretiza através do suor da maquiagem ardente nos olhos, da energia que flui por cada poro desse corpo.
Individualmente, sobrepujar uma falha é um processo muito particular e constitui-se em várias camadas que se relacionam com uma parte psicológica, emocional e outra parte física, material, sensível.
Mas, a maior energia que faz tudo isso se diluir e toda a beleza e essência do espetáculo aparecer, é o grupo. Os corações pulsam no mesmo instante, os medos, as inseguranças, os olhares se revelam juntos. Um grupo conectado dialoga com o espírito, uma relação que vai além do palco, é na vida que se fortalecem as relações, no espetáculo fica só o essencial, só o que o público merece ver, nossos segredos ficam entre nós, nossos mistérios e desejos ficam guardados pra gente como uma contra-força que alimenta o belo visível e sensível para a plateia.
É aí que o Teatro faz sentido, quando o homem se encontra com o homem não apenas para "Executar um projeto" (executar em vários sentidos aqui), mas para transcender juntos um mundo de nuvens negras individuais, chuvas ácidas corrosivas do espírito, voar com os sonhos, ir além dos hologramas (essa é uma referência de outra experiência que quero me deter a contar).
Ah a viagem... Nos trilhos de um trem que não tem fim, ainda temos muitas estações para estacionar, carregar nosso vagão de experiências e cuidar par que cada vagão não desengate.
Os erros são contundentes e irremediáveis, ainda mais no Teatro, a arte de encontro entre o homem e o homem. Nada foge da lente do espectador, desde aquele com o olhar mais frágil até aquele com uma relação mais profunda com essa arte, seja um erro provocado pelo ator, pela técnica, por forças maiores, eles são tão fortes naquele lapso de instante que provam a força maior do TEATRO, sua efemeridade fica evidente em cada segundo, as ações parecem retrógradas, como se fosse uma corrida pra alcançar o ponteiro dos segundo de um relógio. E é exatamente aí que as falhas são desfocadas, onde a única razão pelo teatro existir aparece, o trabalho do ATOR.
Quando esse indivíduo/corpo/substância/energia/alma está cheio de energia e concentração, sua técnica sobrepõe inconscientemente os erros, controla a situação e não se prova como isso acontece através de uma tese científica, pois a efemeridade vai além de uma reflexão, ela dialoga com um tempo que é ínfimo ao pensamento, é o instinto, a reação, o reflexo que se concretiza através do suor da maquiagem ardente nos olhos, da energia que flui por cada poro desse corpo.
Individualmente, sobrepujar uma falha é um processo muito particular e constitui-se em várias camadas que se relacionam com uma parte psicológica, emocional e outra parte física, material, sensível.
Mas, a maior energia que faz tudo isso se diluir e toda a beleza e essência do espetáculo aparecer, é o grupo. Os corações pulsam no mesmo instante, os medos, as inseguranças, os olhares se revelam juntos. Um grupo conectado dialoga com o espírito, uma relação que vai além do palco, é na vida que se fortalecem as relações, no espetáculo fica só o essencial, só o que o público merece ver, nossos segredos ficam entre nós, nossos mistérios e desejos ficam guardados pra gente como uma contra-força que alimenta o belo visível e sensível para a plateia.
É aí que o Teatro faz sentido, quando o homem se encontra com o homem não apenas para "Executar um projeto" (executar em vários sentidos aqui), mas para transcender juntos um mundo de nuvens negras individuais, chuvas ácidas corrosivas do espírito, voar com os sonhos, ir além dos hologramas (essa é uma referência de outra experiência que quero me deter a contar).
Ah a viagem... Nos trilhos de um trem que não tem fim, ainda temos muitas estações para estacionar, carregar nosso vagão de experiências e cuidar par que cada vagão não desengate.
sábado, 8 de novembro de 2014
Um pouco de Oss
No processo eu sabia que seria um
leão e que representaria a história escrita por L. Frank Baum: O Mágico de Oz.
Um dia, Doroti, Espantalho e o
Homem de Lata me chamaram para jogar amarelinha. Ops! Não tem como iniciar o
jogo da amarelinha jogando a pedra em um número que não seja o “um”, o início,
a escuridão (Ai, que medo!). Com a pedra na casa numero “um” o primeiro pulo
foi conhecer a minha amarelinha, o meu caminho de quadrados amarelos. O Leão covarde
apareceu (Miau!). Em meio a meditações e improvisações, a amarelinha foi se
tornando NOSSA e, então, a casa número “dois” e número “três” foram alcançadas.
Um início de luz surgiu em meio a quadrados, retângulos e triângulos. Nossa
casa foi sendo construída, atingimos a casa número “quatro”, porém numa boa
amarelinha não podemos esquecer das pedras do caminho. Tropeçamos numa pedra,
que estivera sempre por lá (ou aqui?), foi no furacão da casa número “cinco”,
no meio do caminho, que decidimos... Precisamos recomeçar! Durante esse
recomeço o leão virou um tigre. Foi-se a casa número “seis”. O tigre e seus
amigos foram percorrendo as casas número “sete” (inundada de desafios) e “oito”
(cheia de descobertas). Durante o caminho de quadrados amarelos o tigre ficou
confiante, deixou seu medo de lado, tudo isso por ser um tigre com amigos de
verdade. Na casa “nove” diante do poderoso Mágico de Oss olhei para traz e
puder perceber que não fui destinada a apenas representar o leão da história O
Mágico de Oz, fui destinada a representar o tigre, o espantalho, o homem de
lata, a Doroti, a Juliana em um mundo chamado NÓS. Na casa número “dez”
vislumbrei o infinito, o processo que não se acaba, os quadrados que flutuam o
caminho que está se construindo. Agradeço ao grande Mágico de Oss com um forte
e sincero abraço.
AMAR É LINHA
OSS!
quarta-feira, 3 de setembro de 2014
Doroti ou Kamila?
A menina é avoada, sempre
atrapalhada e desorganizada. Não consegue acordar, e mau para pra respirar.
Corre pra lá e pra cá, mas nem sempre sabe onde está. Acha que o mundo vai acabar só porque não
aprendeu dançar. Às vezes é cheia de
insegurança, vamos menina, não perca a confiança! Tem medo de não ser... o que?
Nem eu sei... Vive em uma bolha gigante
flutuando pelo mundo adiante. É desatenta e desconcentrada, acho que ela
precisa de umas boas palmadas. É tão
esquecida que às vezes parece até a bela
adormecida. Ai ai ai dona moça, se não
acordar vai engolir uma mosca. Ui nem
pensar! Vou logo mudar! As vezes ela chama atenção pra esconder sua solidão. É
também carente mas esta sempre contente.Ela está na idade do amor, mas ainda
não desabrochou! Sim, já sabe de todos os seus defeitos!.Agora vamos dar um
jeito. Primeiro passo silenciar! Passo a
passo vamos chegar lá!
Construção de um
personagem... Como ir além da Kamila? Quanto nervoso, quanta impaciência, uma
tensão desnecessária.
Ansiedade, esquecimento,
medos. Tantas coisas que passam aqui dentro
e que tentamos esconder... é
claro que tentamos.
Calma, essa é a kamila,
pelo menos uma parte dela, a parte que temos que superar e melhorar. Agora vamos deixar essa kamila de lado e
pensar na personagem.
No seu oficio e na
construção.
Quem é Doroti?
Doroti é uma menina órfã,
criada pelos seus avós, que trabalham
muito para manter as contas da fazenda em dia.
E sem perceber acabam deixando Doroti de lado. Doroti é uma menina maravilhosa, mas como
todas as meninas pequeninas e sem proteção, se perde em seu caminho, deixa
aquela pequena solidão dominar o seu
coração, ainda não sabe lidar com seus sentimentos.
De tanta solidão, não para
de chamar atenção. Acha que é a dona do
mundo, quer mandar em todo mundo, domina as brincadeiras e é cruel com seus
amigos.
As fragilidades que
encontra neles, são suas também, tenta esconde-las de tudo e de todos. Então
ataca os pobres amigos que não tem nada haver com isso. Não deixa escorrer uma
lagrima sequer, acha que sabe de tudo e sempre se mostra forte e durona, mas é
só uma menina que precisa de afeto.
Ela só quer alguém que a
proteja, que a ame e que a ajude a encontrar as respostas de tantas duvidas, é
uma menina perguntadeira, que vai descobrir que está tudo dentro dela, em
um cantinho cheinho de amor que vai colorir
a sua vida.
Mas para isso terá que
iniciar uma jornada, um caminho espiritual, um caminho de aprendizado, um
caminho de lapidação ou um caminho de auto-conhecimento.
Podemos chamar do que
quisermos, ou apenas o caminho da vida...
Que Doroti aceitou consciente ou inconscientemente seguir esse caminho,
enxergar suas fragilidades, aceita-las,
para então poder mudar.
Nas pequenas brincadeiras
com os amigos Doroti vai apresentando as suas fragilidades.
Doroti não gosta de brincar
de amarelinha, por que será?
Amarelinha é uma brincadeira
de muitos amigos, mas quando entramos no jogo, entramos sós. O percurso para
chegar até o céu é individual, ninguém
pode tirar as pedras do seu caminho, só você.
Deve enfrentar os
obstáculos sozinho, para chegar ao fim, ao fim do caminho da amarelinha.
Ela gosta de brincar de
pega-pega, mas não gosta de pegar,
sempre escolhe fugir, fugir e fugir...
E quando brinca de esconde-
esconde, acha que ela vai contar? Nem
pensar! Sempre escolhe se esconder. Se
esconde e se esconde....
No pega-pega, ri daquele
que não consegue pegar, (é fácil sempre fugir), no esconde-esconde, briga com
quem está com medo (é fácil apenas se esconder de tudo e não enfrentar ). E se alguém ousar contrariá-la, fica tão brava que é capaz de
surtar. (ninguém pode descobrir suas fragilidades).
É claro que Doriti, vai se cansar. Ela tem construído suas relações a partir das
suas dores e fraquezas... A vida de Doroti foi se tornando cinza e sem
graça... O problema está sempre no outro e se tornou uma vitima das suas próprias atitudes.
Foi então que um tornado
chegou, e foi o despertar da pequena
Doroti.
ShiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiUUUUU!
Um tornado!
Que vem pedindo silêncio!
Shiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
Um pedido de silêncio a Doroti! Tudo está ali, no centro do tornado, sua casa, sua família, seus amigos sua vida!
Casa?
Porque
voltaria para casa? Não é lá que é tudo ruim.
Os amigos são chatos, lentos,burros e
as brincadeiras não tem graça não é? Os
avós nem se fala, só fazem contas, contas e mais contas. Todos os dias parecem sem sol pra você. Sua vida não tem sentido Doroti. Fique onde
está. Não é bem melhor? Aposto que
sim... Viver só. É o que quer não
é? Afinal você não precisa de afeto. Não
precisa de amigos e não precisa de carinho. Viverá melhor sozinha. Longe de quem te
incomoda.
Doroti....
Esse furacão deixou a minha vida de cabeça pra
baixo, só assim pude perceber tudo que
estava tão perto de mim quando vivia na casa dos meus avós e nunca enxerguei. Eu precisava mesmo de
uma luz, eu via tudo cinza sem cor e sem graça.
E na verdade quem estava sem
graça era eu. Machuquei os meus amigos,
me achei melhor que eles, só reclamava dos meus avós que sempre cuidaram de
mim. Os dias eram sem sol porque eu os via assim.
Acho
que esse furacão mudou a minha vida. Quero voltar pra casa e fazer tudo melhor. Cuidar dos meus amigos, dar
atenção para os meus avós. E brincar de amarelinha.
Nesse
caminho que segui descobri a amizade.
Somos amigos, amigos indo pra oss. Amigos que se unem para ajudar um ao outro. Descobri
em mim sentimentos que faltavam em meus amigos para continuarmos o caminho e
assim chegamos até o fim... O fim do caminho da amarelinha.
E
agora?
Chegamos
em Oss. Encontrei o grande mágico de
Oss. Achei que ele me levaria para casa
em um passe de mágica, mas ele me fez perceber que na verdade ele sou eu, meus
amigos estão em mim. E que no caminho encontrei
as soluções que já estavam aqui.
Plin, plin,plin, as fichas caíram... era isso mesmo. Quero mais que tudo voltar
para casa, agora tudo faz sentido. Minha
casa, minha vida, os meus amigos.
Coisas em mim tive que reconhecer pra poder me
resolver.
Obrigada camiho da amerelinha. AMAR É
LINHA, a linha que estará sempre traçando o meu caminho.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
Pobre Doroti, não sabe o que a espera por ela...
Oss, Oss, Oss.
Você tem um telefone que eu possa te ligar? Um e-mail que eu
possa mandar?
Que homem mais difícil de se encontrar.
Se você é o grande poderoso deveria se mostrar forte e glamoroso.
Não deveria se esconder se os problemas de todos pode
resolver.
Esse furacão só me trouxe confusão.
Já não gosto de pular e um caminho de amarelinhas vou ter
que passar.
Isso só pode ser brincadeira!
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